quinta-feira, 15 de março de 2012

A PROPÓSITO DE PAIS E FILHOS


Seres vivos se agridem. Os humanos não fogem à regra. O que é inaceitável é o peso injusto que se atribui quando essas agressões penalizam pessoas pelo seu grau de parentesco; como se agredir alguém com quem não se comunga qualquer parentalidade fosse um ato de menor importância.

Estas considerações vêm a propósito de notícia veiculada pela mídia, dando conta de que um filho, em uma ação execrável, agride pai e mãe até a morte e, em seguida, tenta a própria morte. Todos reprovamos e ficamos constrangidos com tal ação destruidora, ainda mais quando oriunda de uma relação de parentesco de tanta profundidade quanto a que liga pais e filho.

O que causa estranheza e, diria, estarrecimento, é se especificar e acentuar que o autor da ação reprovável é “filho adotivo”. Por que insinuar que o crime cometido o foi por um filho “adotivo”? Porventura tendo alguém se tornado filho por adoção trará em si o germe do distúrbio de comportamento que possa gerar ação tão hedionda? Nunca se viu na mídia qualquer referência com tal ênfase indicando: “Filho biológico mata pai e mãe”. Por que agregar à adoção como forma legítima jurídica e afetiva de parentalidade, a informação insidiosa de que haveria uma íntima relação entre adoção e distúrbio de comportamento, o que, psicologicamente não é verdadeiro?

Estabelecer tal relação é tentar instalar interrogações, desestímulo e até medo naqueles que vivem em paz com seus filhos, como também àqueles que buscam dar uma família aos que a sociedade lhes negou tal direito.

Não é a primeira vez que tomamos conhecimento dessa posição profundamente desumana da mídia, jogando sobre os filhos por adoção responsabilidade pelo simples fato de chegarem às suas famílias pelo instituto da adoção. E mais. É obvio que todos os filhos, sem exceção, são biológicos, ao mesmo tempo em que só poderão vivenciar a real filiação se com eles forem construídos vínculos afetivos com os que os incorporaram como filhos por adoção.

Em nome de um sensacionalismo informativo, há os que – talvez sem o perceber – são cruéis e pedagogicamente incorretos, martirizando os que estão curando as dores da rejeição ou preenchendo as lacunas da infertilidade. Presta-se um desserviço à humanidade quando se tenta juntar dois elementos que não se podem unir: adoção e deformação do comportamento. Alguém já observou que dos seres vivos que conhecemos somente os humanos têm a “capacidade” de serem desumanos. E, lamentavelmente, alguns o são.

Lidando há quarenta e um anos, como psicólogo, com pais e filhos adotivos, compulsando a literatura dos países que pesquisam sobre o tema, nunca encontrei qualquer fonte científica que afirmasse que ações agressivas entre seres humanos fosse uma marca naqueles que se tornaram filhos por adoção.

Chamo aqui à responsabilidade aqueles que permitem a publicação de inverdades que resultam em crime social com prejuízos de extensão incomensurável para crianças que poderão perder, pela segunda vez, a oportunidade de convivência familiar.

Luiz Schettini Filho

Psicólogo

Pai adotivo

.~.~.~.~.~.~.~.~.
Oiee!!
Luiz Schettini escreveu o que gostaríamos de expressar...
O ano passado visitei um abrigo para crianças sob a guarda da Justiça, e uma criança em especial chamou a atenção não só pela sua beleza, mas desenvoltura em se expressar, de uma maturidade que o cizel da vida tratou de lapidar cedo para uma dura realidade. Ela simplesmente nos disse que não gostaria de ser adotada, porque já havia sido rejeitada duas vezes; a primeira vez pela própria mãe, e a segunda por uma família que segundo ela não houve adaptação por falta de algo essencial dentro de um lar que é a atenção e o carinho, pois havia tempo para festas, visita a clubes, tinha de cumprir uma agenda cheia de atividades e de repente ela só queria um colo com alguém contando histórinhas e um abraço bem apertado, e todos que chegam aqui pra visitar o abrigo me dão isto e muito mais... Não basta muita das vezes somente ofertar a moradia, com roupas lindas, escola com educação de tecnologia de ponta se não der o essencial...Amor!Respeito!Proteção!
Sabem que, analisando essa questão Lar, lembramo-nos de um conceito que André Luiz nos dá no livro Sinal Verde, psicografia de Chico Xavier:
"A casa não é apenas o refúgio de madeira ou alvenaria. É o lar onde a união e o companheirismo se desenvolvem."
Bonito e profundo, não acham?

5 comentários:

✿ chica disse...

Que maravilha de tema e postagem escolhida..Adorei e tudo que diz respeito às crianças merece nossa atenção. beijos,lindo fds!chhica

Isabelita @novamodaemdstq disse...

Que linda mensagem de paz. Parabéns!
Beijos e um ótimo final de semana.

www.novamodaemdestaque.com

Sandra Mitsue disse...

Oi Teresa Cristina...
Parabéns pelo post...Texto belissimo de Luiz Schettini ...Acompanhado do seu lindo texto...Adorei!Bem profundo mesmo...e hoje agradeço a você que carinhosamente
desejou-me feliz aniversário.
Foi um dia muito feliz por descobrir
que tenho pessoas maravilhosas que me cercam..
uns bem perto, outros bem longe..
não importa a distância e sim o carinho..
isso é um presentão de Deus na minha vida!
Arigatou né! Eu Simplesmente adorei!!!Ótimo Final de Semana!
Beijos!
San...

Rita De Carli disse...

Oi Teresa Cristina!

Sabes, que quando vi a reportagem na tv, também pensei: Pq falar filho adotivo? Qual a importância?
Muito pelo contrário, como nos coloca Luiz Schettini, esse comentário infeliz associa a adoção, que é um gesto de amor, ao gene da criminalidade.
Esse teu post veio corroborar o juízo que eu fiz ao ver tal matéria na tv.
Muito bom saber que existem pessoas que comungam dos mesmos pensamentos, afinal não estamos sozinhos!!! Parabéns pelo post!!!
Realmente muito linda e profunda a citação:"A casa não é apenas o refúgio de madeira ou alvenaria. É o lar onde a união e o companheirismo se desenvolvem."

Bjks, Rita De Carli

Fabio Baptista disse...

Olá Teresa. A mídia como foi falado é sensacionalista e sempre se apegará a esse tipo de detalhe para dar mais destaque à notícia.

E sobre a última parte, hoje existem muitas pessoas que aparentemente só querem ser pais para cumprir uma obrigação com a sociedade. Largam os filhos com babás e nas escolinhas, dão o mínimo de atenção possível, não querem saber de participar da vida das crianças, acham que só cumprindo com a parte financeira já estão fazendo o suficiente.

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