terça-feira, 3 de março de 2015

Anjo

O menino voltou-se para a mãe e perguntou:
-- Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum. Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria andar pelas estradas, até encontrar um anjo.
-- É uma boa idéia - falou a mãe. Irei com você.
-- Mas você anda muito devagar - argumentou o garoto. Você tem um pé aleijado. A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia andar muito mais depressa do que ele pensava. Lá se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe mancando, seguindo atrás. De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa, puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda, envolta em veludos e sedas, com plumas brancas e cabelos escuros. As jóias eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado da carruagem e perguntou à senhora:
-- Você é um anjo?
Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro que chicoteou os cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os olhos e a boca do menino ficaram cheios de poeira. Ele esfregou os olhos e tossiu bastante. Então, chegou sua mãe que limpou toda a poeira, com seu avental de algodão azul.
-- Ela não era um anjo, não é, mamãe?
-- Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um, respondeu a mãe. Mais adiante uma jovem belíssima, em um vestido branco, encontrou o menino. Seus olhos eram estrelas azuis e ele lhe perguntou.
-- Você é um anjo?
Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz:
-- Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo. Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado chegando. Mais do que depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi tão rápido que ele não conseguiu se firmar bem nos pés e caiu.
-- Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho! Disse ela, enquanto corria ao encontro do seu amado.
O menino ficou no chão, chorando, até que chegou sua mãe e lhe enxugou as lágrimas com seu avental de algodão azul. Aquela moça, certamente, não era um anjo. O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse estar cansado.
-- Você me carrega?
-- É claro - disse a mãe. Foi para isso que eu vim. Com o precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando pelo caminho, cantando a música que ele mais gostava. Então o menino a abraçou com força e lhe perguntou:
-- Mãe, você não é um anjo? A mãe sorriu e falou mansinho:
-- Imagine, nenhum anjo usaria um avental de algodão azul como o meu....
MORAL DA HISTÓRIA: Anjos são todos os que na Terra se tornam guardiões dos seus amores. São mães, pais, filhos, irmãos, amigos que renunciam a si próprios, a seus interesses, aos seus objetivos, aos seus desejos e até as suas vidas em benefício dos que amam. Às vezes, podem estar do nosso lado e não percebemos.
Autor: William J. Bennett

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Hipótese da Emília

"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, 

começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é 

abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e 

acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste 

mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um

 dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e 

cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última

 vez e morre. 



– E depois que morre?, perguntou o Visconde. 


– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"





Monteiro Lobato

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

The Hollies - He is my brother

Foi na entidade "Missão dos Orfãos" em Washington DC, que ficou eternizada a música "He ain't heavy, he is my brother" do grupo "The Hollies" em 1969. A história conta que certa noite, em uma forte nevasca, na sede da entidade, um padre plantonista ouviu alguém bater na porta. Ao abri-la deparou-se com um menino coberto de neve, com poucas roupas, trazendo em suas costas, um outro menino mais novo. A fome estampada no rosto, o frio e a miséria dos dois comoveram o padre. O sacerdote mandou-os entrar e exclamou:
- Ele deve ser muito pesado. - O menino que carregava o outro disse:
- Ele não pesa, ele é meu irmão (He ain't heavy, he is my brother). - Não eram irmãos de sangue realmente. Eram irmãos da rua. O autor da música soube do caso e nele se inspirou para compor a música e da frase fez o refrão. Esses dois meninos, foram adotados pela instituição.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Os ipês amarelos

Uma professora me contou esta coisa deliciosa. Um inspetor visitava uma escola. Numa sala ele viu, colados nas paredes, trabalhos dos alunos acerca de alguns dos meus livros infantis. Como que num desafio, ele perguntou à criançada: "E quem é Rubem Alves?".
Um menininho respondeu: "O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos...". A resposta do menininho me deu grande felicidade. Ele sabia das coisas. As pessoas são aquilo que elas amam.
Mas o menininho não sabia que sou um homem de muitos amores... Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam! Encantam-se com tudo. Para eles o mundo é assombroso.
Gosto também de banho de cachoeira (no verão...), da sensação do vento na cara, do barulho das folhas dos eucaliptos, do cheiro das magnólias, de música clássica, de canto gregoriano, do som metálico da viola, de poesia, de olhar as estrelas, de cachorro, das pinturas de Vermeer (o pintor do filme "Moça com Brinco de Pérola"), de Monet, de Dali, de Carl Larsson, do repicar de sinos, das catedrais góticas, de jardins, da comida mineira, de conversar à volta da lareira.
Diz Alberto Caeiro que o mundo é para ser visto, e não para pensarmos nele. Nos poemas bíblicos da criação está relatado que Deus, ao fim de cada dia de trabalho, sorria ao contemplar o mundo que estava criando: tudo era muito bonito. Os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma. Meus olhos se espantam com tudo que veem.
Sou místico. Ao contrário dos místicos religiosos que fecham os olhos para verem Deus, a Virgem e os anjos, eu abro bem os meus olhos para ver as frutas e legumes nas bancas das feiras. Cada fruta é um assombro, um milagre. Uma cebola é um milagre. Tanto assim que Neruda escreveu uma ode em seu louvor: "Rosa de água com escamas de cristal...".
Vejo e quero que os outros vejam comigo. Por isso escrevo. Faço fotografias com palavras. Diferentes dos filmes, que exigem tempo para serem vistos, as fotografias são instantâneas. Minhas crônicas são fotografias. Escrevo para fazer ver.
Uma das minhas alegrias são os e-mails que recebo de pessoas que me confessam haver aprendido o gozo da leitura lendo os textos que escrevo. Os adolescentes que parariam desanimados diante de um livro de 200 páginas sentem-se atraídos por um texto pequeno de apenas três páginas. O que escrevo são como aperitivos. Na literatura, frequentemente, o curto é muito maior que o comprido. Há poemas que contêm todo um universo.
Mas escrevo também com uma intenção gastronômica. Quero que meus textos sejam comidos pelos leitores. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos de forma prazerosa. Um texto que dá prazer é degustado vagarosamente. São esses os textos que se transformam em carne e sangue, como acontece na eucaristia.
Sei que não me resta muito tempo. Já é crepúsculo. Não tenho medo da morte. O que sinto, na verdade, é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui... Escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos...
Rubem Alves

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O Resgate de Uma Vida

Bernardo e Ágata possuem uma família bonita e harmoniosa no Rio de Janeiro. Os cinco filhos, bem criados, já são adultos e seguem suas vidas: Alex, Hélder, Sofia, Valéria e Flávio. Mas, apesar de toda proteção espiritual daquela família, a invigilância atrai alguns problemas inesperados. Sofia, a filha arquiteta, mora em seu próprio apartamento com vista para o mar, como sempre sonhou. Porém, sofre duros golpes praticados pela sócia, pelo noivo e por um ex-colega, que dizia ser seu amigo. Ela perde tudo: o apartamento, a empresa, o trabalho, o dinheiro e se vê sem forças para retomar sua vida. Paralelamente, sua irmã Valéria também passa por problemas depois que decidiu ir morar com o namorado. Humilhações, desrespeito e até agressões físicas agora fazem parte do cotidiano da advogada Valéria, cada vez mais presa e sem condições para reagir. A família e amigos leais assumem um papel importante e, mediante os esforços dos encarnados, amigos espirituais mobilizarão energias para ajudar e fazer com que espíritos obsessores não consigam atingir seus objetivos destrutivos. A fé nos desígnios de Deus será primordial para a transformação de todos e a superação de momentos tão conturbados. Neste belo romance mais uma vez o espírito Schellida, pela psicografia de Eliana Machado Coelho, nos traz importantes ensinamentos, abordando temas que irão nos esclarecer com aprendizados necessários para a nossa evolução.

.~.~.~.~.~.~.~~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~

Mais um romance espírita, e como sempre um aprendizado!!

* A elevação pessoal não é sorte, é conquista
*Não existe união perfeita. O que existem são uniões que se aperfeiçoam. A união equilibrada não depende de um, mas de dois.
*Adultério é insegurança psicológica de pessoa frustrada consigo mesma.
*Há momentos em que, para resgatar a própria vida, é preciso não dar importância as pessoas que nos magoaram. Jogar fora o que nos faz mal. Desprezar lembranças amargas e começar de novo com toda garra, esperança e fé.

Dica de leitura!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Whiplash - Em busca da perfeição

O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que

 sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome 

na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo

 na bateria. Após chamar a atenção do reverenciado e 

impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (J. K. Simmons), 

Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de 

Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos.

 Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará 

Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de

 tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo 
que 

isso coloque em risco seus relacionamentos com sua 

namorada e sua saúde física e mental.

.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~

Foi indicado a cinco prêmios Oscar, incluindo melhor filme. 

Só me disseram assim: assista e não vai se arrepender; fato!


O aluno somente queria ser um dos maiores e o professor 


tinha como lema exigir delas além daquilo que elas esperam.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O futuro não pode ser previsto, mas pode ser inventado. É a nossa habilidade de inventar o futuro que nos dá esperança para fazer de nós o que somos.
Dennis Gabor

É assim...

É assim...
Tecnologia do Blogger.

ou é assim...

ou é assim...

About Me

Minha foto
Pedra bruta se deixando lapidar pelo cinzel da vida

Seguidores